Autarquia sadina quer que credores
passem a devedores
A Câmara de Setúbal, escreve o Jornal
de Notícias, está a propor aos fornecedores a quem deve que passem de credores
a devedores, com base numa manobra financeira, como forma de recuperarem os
valores em causa. Ou seja, os fornecedores terão de contrair um empréstimo
junto da Caixa Agrícola da Costa Azul igual ao valor que lhes é devido pelo
município da CDU por 36 meses e com juros.
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Câmara de Setúbal quer contornar dívida com manobra financeira |
Paralelamente, a Câmara liderada por
Maria das Dores Meira, escreve ainda o JN, estabelece um contrato com o
fornecedor, onde lhe garante que transferirá um montante mensal igual à
prestação do crédito contraído junto do banco e se transforma em fiadora do
empréstimo a ser contraído.
Segundo um dos empresários a quem a
Câmara propôs tal negócio, e que pediu anonimato, é elevada a pressão sobre os
fornecedores, levada a cabo pelo diretor municipal das Finanças, Pedro Manuel
Coimbra.
"Na prática, o fornecedor tem de
se endividar para ter o que lhe pertence. E pior: a imagem que é passada pelo
diretor é que ou se aceita ou não há perspetivas de dinheiro em breve",
explicou.
Tudo legal diz a Câmara
Ainda segundo o JN, o assessor da
autarquia - gerida pela CDU desde 2001 e que acumula uma dívida de 82,9 milhões
de euros - garantiu que em causa está o recurso a "confirming",
"instrumento que é utilizado por várias entidades públicas, entre as quais
várias autarquias da área metropolitana de Lisboa". "Não existe nada
de irregular neste tipo de prática", diz o assessor.
Mas este mecanismo não se reveste das
regras que a Câmara aplica. O JN apurou ainda que só a Câmara de Sesimbra,
também gerida pela CDU, está a recorrer a tal prática. Já fonte da Caixa
Agrícola revelou que "ainda estão a decorrer negociações com a Câmara de
Setúbal, quanto aos contratos a serem entregues aos fornecedores".
Agência de
Notícias
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